sexta-feira, agosto 22, 2008

Testemunhos da Igreja perseguida na China

Testemunhos da Igreja perseguida na China


Seguem os testemunhos de cristãos perseguidos pelo regime chinês e que foram publicados no sítio católico espanhol Religión Digital, 8-08-2008. A tradução é do Cepat.

Pancadas na língua, por padre Francisco Tan Tiande

Sofri muito mais na prisão do que no campo de trabalho. Estive preso numa cela muito pequena. Tinha que ficar o dia todo sentado com as pernas cruzadas.

Não podia nem me levantar nem deitar. Tinha que pedir permissão ao guarda para ir ao banheiro, ou para pigarrear. Só depois de ter recebido a permissão, podia me levantar.

Não me era permitido falar com ninguém, nem dormir, porque em tal caso teria sido submetido a uma dolorosa pancada de cabo na língua. Para quem não tem fé, um dia na prisão é como um ano inteiro. Mas eu tenho fé, e podia dar-me conta de que a nossa casa está onde está o nosso coração. Estava em paz com Deus e comigo mesmo. Todos os sofrimentos que suportava por amor a Jesus eram para mim um motivo de alegria.

Um plano diabólico, por padre Juan Juang Yongmu

Desde o princípio se intuía o diabólico plano dos comunistas contra a Igreja católica. O primeiro passo era controlar a Igreja, o segundo, restringir suas atividades para em seguida destruí-la completamente. Alguns não viam claramente o que iria acontecer. Eram muito otimistas e se inclinavam a pensar que o comunismo chinês não era o russo. Mas isto era uma fábula (...).

Enquanto estava na prisão, em Haifeng, à espera do julgamento, pensava na sentença que me imporiam. Desejava que o julgamento se desse o mais rápido possível, porque esperava que a condenação seria de três ou quatro anos. E, no entanto, foi uma condenação à morte. Quando comutaram esta sentença pela prisão perpétua, entendi que o Partido Comunista havia idealizado um plano para exterminar a Igreja na China de uma vez para sempre, e que eu era uma simples vítima deste plano. A verdadeira razão da minha condenação foi o extermínio da Igreja católica e não os delitos de que me acusavam.

Uma missa clandestina, por Juan Chang, primo do padre José Li Chang

Pouco depois, o padre Li foi transferido para o campo de trabalho de Huieliu (...) Me ouvirás em confissão?, lhe perguntei. Melhor esperar até que todos tenham ido dormir, me disse. Não sei quantas horas ficamos deitados, mas para mim parecia uma eternidade.

Ao final, o padre Li se sentou. Não houve necessidade que me chamasse porque eu estava acordado. Me sentei ao seu lado, no catre, e me confessei. Depois tirou de debaixo da almofada um pequeno envoltório, abriu-o e tirou o material necessário para a missa: um corporal, um missal, um pequeno cálice, uma caixa de hóstias e dois frascos com vinho. Os dispôs com grande cuidado sobre o cobertor e ligou uma lanterna. Quanto terminou, colocou a alba e começou a missa: In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Introibo ad altare Dei. Tínhamos que sussurrar para não acordar os nossos vizinhos. Eu exercia a função de acólito (...).

Quando, na elevação [consagração], o padre Li levantou o Corpo e o Sangue de Cristo, eu estava tão emocionado que o coração parecia querer sair pela boca. Depois, no momento da comunhão, recebendo o Corpo do Senhor, não pude conter as lágrimas. Me lembrei das palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. Levantando os olhos, me dei conta de que meu primo também estava chorando. Acabada a missa, o padre Li guardou tudo no lenço, amarrou o envoltório e colocou debaixo do travesseiro.

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